Voltar

2026 / Healthtech

eHealth: plataforma clínica unificada

Arquitetura de produto e interface para unificar operação pública e privada em uma plataforma clínica densa, modular e orientada ao fluxo real de atendimento.

Capa do projeto eHealth: plataforma clínica unificada
Papel
Pesquisa, arquitetura de informação, UX/UI, desenho de fluxos e sistema visual
Disciplina
Product design, UX research, UI design, Design system
Cliente
Eagle Care / eHealth
Colaboradores
Produto, Engenharia, Corpo clínico, Recepção, Gestão pública e privada
Resultado
Uma base de produto capaz de atender rotinas públicas e privadas sem bifurcar a aplicação, reduzindo carga cognitiva em agendas, triagem e prontuário.

O projeto partiu de uma tensão comum em sistemas de saúde: a operação pública exige profundidade, rastreabilidade e protocolos; a operação privada precisa de velocidade, clareza comercial e menor atrito no atendimento. Tratar esses mundos como produtos separados criaria dívida técnica e uma experiência inconsistente. O trabalho foi desenhado para provar outra hipótese: uma mesma arquitetura poderia servir aos dois contextos se a interface fosse modular, configurável e orientada ao fluxo.

PesquisaGrupos focais com médicos, recepção e gestão para separar desejo de funcionalidade de fricção operacional real.
ArquiteturaUma base única para Eagle Care e eHealth, com permissões e módulos capazes de mudar por contexto sem quebrar layout.
InterfaceDashboards densos, prontuário com disclosure progressivo e fluxo SOAP guiado por etapas.

Pesquisa antes da tela

A investigação foi organizada em três perfis de uso: corpo clínico, linha de frente e gestão. O objetivo não era colecionar uma lista de telas, mas entender quais problemas se repetiam independentemente do tipo de instituição.

Para médicos, a dor central era a relação entre tempo de tela e tempo de paciente. Sistemas fragmentados faziam o profissional alternar entre abas, buscar sinais vitais, recuperar histórico e preencher campos longos enquanto tentava manter a escuta ativa. Para recepção e triagem, o ponto crítico estava na identificação segura do paciente, no controle visual da agenda e na redução de duplicidades cadastrais. Para gestores, o problema era a latência: decisões dependiam de relatórios assíncronos, quando a operação precisava de leitura em tempo real.

Essa triangulação definiu o foco do produto: melhorar o fluxo de entrada e o fluxo de atendimento. A interface deixou de ser pensada como um prontuário digital isolado e passou a funcionar como uma camada operacional para a clínica inteira.

Antes de desenhar layouts finais, o trabalho passou por um mapa de funcionalidades. Ele organizou o que precisava existir, quais módulos dependiam de decisões anteriores e como o desenvolvimento poderia avançar em etapas sem perder a visão do produto completo.

Mapa de funcionalidades do eHealth, estruturando módulos e etapas anteriores ao layout final.
O mapa de funcionalidades serviu como ponte entre pesquisa e interface: alinhou escopo, priorização e dependências antes da etapa visual.
Mapa do fluxo operacional da aplicação, conectando recepção, agendamento, prontuário e gestão.
O mapa operacional ajudou a transformar módulos soltos em uma jornada contínua: agenda, triagem, atendimento, documentação e gestão.

Uma base para dois mundos

O desafio de produto era unificar o Eagle Care, já consolidado na gestão de saúde pública municipal, com o eHealth, uma frente voltada para clínicas e hospitais particulares. A decisão estratégica foi evitar uma bifurcação de código e desenhar uma plataforma de base comum, onde permissões, módulos e estados de interface pudessem acomodar diferenças de operação.

A direção visual acompanha essa escolha. Em vez de uma estética médica genérica, o projeto assume um dashboard utilitário: contraste claro, hierarquia tipográfica, componentes previsíveis e pouco ruído decorativo. A referência de Material Design 3 aparece menos como estilo e mais como disciplina de sistema: comportamento consistente, acessibilidade, estados claros e uma gramática de componentes fácil de escalar.

O resultado é uma interface que pode esconder, revelar ou reorganizar funcionalidades conforme o perfil do usuário sem parecer remendada. A mesma estrutura comporta o rigor de um serviço público e a agilidade esperada por uma clínica privada.

Agenda como centro de comando

A agenda foi tratada como a superfície de maior impacto operacional. Ela concentra volume, fila, status, identificação do paciente e sinais de risco. Por isso, a arquitetura prioriza leitura rápida: KPIs no topo, filtros de tempo, tabela com ordem lógica e metadados compactados por iconografia.

O CPF aparece na leitura primária não como detalhe burocrático, mas como mecanismo de prevenção de erro. Em sistemas legados, duplicidade de cadastro costuma nascer de pequenos atalhos. Aqui, a interface traz a checagem para a superfície.

Tela de agendamentos com cards de indicadores, filtros e tabela de pacientes.
Cards de KPI e tabela em padrão de leitura Z dão à recepção uma visão rápida de volume, status e próximos atendimentos.

A versão escura nasce de uma condição real de uso: plantões, baixa luminosidade e turnos longos. O dark mode funciona como decisão ergonômica, reduzindo fadiga visual em ambientes onde a ferramenta permanece aberta por muitas horas.

Prontuário que acompanha o raciocínio clínico

No atendimento, a prioridade muda. A interface precisa apoiar pensamento diagnóstico, não competir com ele. O prontuário foi estruturado para manter dados críticos sempre visíveis e reduzir a necessidade de navegação lateral durante a consulta.

Informações como idade, peso, altura, IMC, alergias e tipo sanguíneo permanecem ancoradas no topo. Essa decisão diminui alternância de contexto em momentos sensíveis, como cálculo de dosagem, prescrição ou leitura de contraindicações. A organização em abas separa consultas, documentações e medicamentos sem quebrar a continuidade do atendimento.

Fluxo de consulta médica com cabeçalho fixo, etapas do atendimento e área de prescrição.
O atendimento ativo usa um fluxo guiado por etapas para reduzir a sensação de formulário infinito e organizar triagem, hipótese, conduta e documentos.

A lógica SOAP foi usada como estrutura mental da tela: Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano. Em vez de obrigar o médico a traduzir seu raciocínio para o sistema, a interface se aproxima da ordem natural da consulta.

Densidade sem sobrecarga

Saúde é um contexto de alta densidade, e o problema acaba sendo mostrar toda essa informação ao mesmo tempo. Por isso, o histórico clínico foi desenhado com disclosure progressivo. A tela apresenta metadados suficientes para orientar a busca, mas só expande o detalhe quando há intenção.

Histórico de saúde expandido com dados clínicos organizados em painéis e seções.
Históricos colapsáveis preservam foco no atendimento atual e ainda mantêm profundidade disponível quando o médico precisa investigar contexto.

Esse padrão também cria uma base para evolução futura. Especialidades, documentos, prescrições e módulos de teleatendimento podem entrar sem redesenhar a tela principal, porque a arquitetura já separa contexto, ação e histórico.

O que este case demonstra

O valor do projeto está menos em uma tela isolada e mais na coerência do processo. A pesquisa identificou fricções universais enquanto a estratégia evitava duplicar produtos. A arquitetura conectou operação, prontuário e gestão. A interface traduziu tudo isso em componentes que reduzem clique, tornam status visível e deixam o profissional focar no que realmente importa.

As próximas iterações apontadas no processo seguem a mesma lógica: transcrição por IA para reduzir digitação durante anamnese, triagem desacoplada para pré-preenchimento antes da consulta e indicadores mais robustos para apoiar decisões de negócio e políticas públicas. Em vez de adicionar tecnologia como camada chamativa, a evolução planejada desloca trabalho mecânico do usuário para o sistema.