2025 / Marketplace jurídico
Redejuri: marketplace jurídico ponta a ponta
Criação de marca, arquitetura de produto e interface para uma plataforma jurídica que conectava clientes e advogados em uma jornada de busca, contratação, agendamento e atendimento.

Redejuri nasceu como uma resposta a uma tensão comum no mercado jurídico: clientes precisam encontrar ajuda confiável sem entender previamente o funcionamento do setor, enquanto advogados precisam de presença digital, agenda organizada e um canal mais previsível de captação. O produto foi pensado como um marketplace jurídico, com uma experiência semelhante à de plataformas de saúde sob demanda, mas adaptada à sensibilidade, à linguagem e à confiança exigidas em serviços legais.
Meu papel foi conduzir sozinho a frente de marca e produto. Isso significou sair da definição visual da Redejuri e chegar às jornadas de cliente, advogado e operação, desenhando landing page, fluxo de contratação, dashboards, perfil profissional, agenda, pagamentos e superfícies de suporte.
Do problema de mercado ao produto
O ponto de partida era simples de explicar e complexo de resolver: contratar um advogado costuma envolver baixa transparência, indicação informal, insegurança sobre especialidade e atrito para marcar uma conversa inicial. Para o cliente, o risco é não saber se encontrou a pessoa certa. Para o advogado, o risco é depender de canais pouco escaláveis, sem uma estrutura clara de conversão e acompanhamento.
O plano foi organizar essa troca em uma jornada mais previsível: escolher uma especialidade, comparar profissionais, selecionar data e horário, pagar pelo acesso e realizar a consulta. A decisão central foi tratar a plataforma como um serviço guiado, não apenas como um diretório de perfis.
Aquisição com dois públicos ao mesmo tempo
A home precisava vender a plataforma para dois públicos diferentes sem parecer dividida. Para clientes, a interface priorizava a busca por especialidade e os passos de agendamento. Para advogados, a página explicava como entrar na rede, passar por avaliação e ativar o perfil profissional.
Essa escolha ajudava a alinhar crescimento e operação. O mesmo site precisava capturar demanda de consulta e, ao mesmo tempo, atrair oferta qualificada para manter o marketplace saudável. A comunicação foi estruturada em torno de quatro pilares: qualidade, facilidade, privacidade e valor previsível.
Outro ponto avaliado no processo decisório de manter os dois públicos na mesma LP foi o da transparência. Deste modo, o potencial cliente fica ciente da comunicação que a empresa tem com seus colaboradores (e o cuidado com a qualidade - não é qualquer um que entra), assim como os colaboradores vêem, em primeira mão, o processo de captação. Isso não impede, futuramente, o desenvolvimento de LP's de captação segmentada para cada público.
Contratação como fluxo guiado
O fluxo de contratação foi desenhado para transformar uma decisão sensível em uma sequência de escolhas claras. Em vez de pedir muitos dados logo no começo, a experiência começava pela intenção: especialidade, profissional, data e horário. Só depois avançava para detalhamento e pagamento.
Área do cliente como acompanhamento
Depois da contratação, o cliente precisava entender o que estava marcado, quais ações estavam pendentes e como retomar conversas ou documentos. O dashboard foi pensado como uma área privada objetiva: próxima consulta, atualizações, mensagens, profissionais salvos e histórico.
Rotina do advogado
Para o advogado, o produto precisava funcionar como uma base operacional. A agenda sendo a superfície mais importante: concentrando disponibilidade, horários selecionados, ocupação semanal e ações recorrentes. O perfil público, as avaliações, os clientes e os pagamentos completam a estrutura de presença e gestão.
Um sistema para escalar a operação
A complexidade da Redejuri está menos em uma tela isolada e mais na conexão entre papéis. Cliente, advogado e operação interna têm necessidades diferentes, mas o produto precisa parecer um sistema único. Isso orientou decisões de navegação, hierarquia visual, linguagem e componentes.
A identidade usa uma base visual sóbria com acento laranja para sinalizar ação e conversão. Esse contraste ajuda a manter a plataforma próxima de um serviço jurídico confiável, sem perder clareza comercial. Ao mesmo tempo, os dashboards foram desenhados com densidade controlada: informação suficiente para operar, mas sem a aparência de um software administrativo pesado.
Aprendizado
Redejuri foi um exercício completo de ownership de produto. O desafio não era apenas desenhar telas bonitas para um marketplace, mas fazer a lógica do negócio aparecer na interface: captação, qualificação, disponibilidade, pagamento, consulta e relacionamento contínuo.
O principal aprendizado foi tratar confiança como arquitetura. Em um serviço jurídico, confiança não vem só de tom institucional. Ela aparece na ordem das escolhas, na clareza dos estados, na previsibilidade do pagamento, no acesso a avaliações e na capacidade de cada pessoa entender o que acontece depois do clique.